Semana Santa e Páscoa: Tempo de Reflexão, Ressignificação e Renovação

COLUNA ACADÊMICA 

Ir Wallas Oliveira  - 18/04/2025


Semana Santa e Páscoa: Tempo de Reflexão, Ressignificação e Renovação

___________________________

Por Wallas Oliveira

 

A Semana Santa é um período profundamente significativo para a tradição cristã, relembrando os últimos dias de Jesus Cristo na Terra, sua crucificação e ressurreição. Essa celebração surgiu nos primeiros séculos do Cristianismo, consolidando-se definitivamente a partir do Concílio de Niceia, em 325 d.C., onde ficou estabelecida a data móvel da Páscoa. A expressão "Semana Santa" vem justamente da sacralidade e reverência com que esses dias são vivenciados pelos fiéis cristãos.

Para além de seu significado religioso, a Semana Santa nos oferece um valioso momento de introspecção e reflexão pessoal. Independentemente da crença individual, é um convite para olhar para dentro de nós mesmos, avaliando nossa conduta, nossos valores e nossa trajetória de vida. Trata-se de um momento oportuno para ressignificar experiências passadas e direcionar nossas vidas rumo a mudanças positivas e profundas.

Neste contexto, vejo a Semana Santa como uma grande oportunidade de reflexão, ressignificação e mudança. É o período perfeito para que cada um possa rever suas ações e se comprometer com um caminho renovado, pautado na ética, na solidariedade e no autoconhecimento. Esses aspectos encontram profunda consonância com os princípios maçônicos que tanto valorizamos, como a busca constante pela sabedoria, pelo aperfeiçoamento moral e pela construção de uma humanidade mais fraterna e justa.

Assim como na Maçonaria somos instigados constantemente à reflexão sobre nossos atos e ao desenvolvimento de nosso caráter, a Semana Santa e a Páscoa reforçam esse propósito ao nos convidar à renovação espiritual e moral. A simbologia da morte e ressurreição, central na Páscoa, está diretamente ligada à ideia maçônica de transformação do indivíduo: morrer para as fraquezas e limitações do passado e renascer como um ser mais forte, mais sábio e mais virtuoso.

Diante disso, pergunto: Como temos vivenciado nossa trajetória maçônica até agora? Temos realmente aplicado os princípios da fraternidade, da igualdade e da busca incessante pela verdade em nosso cotidiano? Estamos dispostos a abandonar nossos antigos hábitos e renascer com atitudes mais nobres e solidárias?

Será que, como maçons, estamos aproveitando as lições simbólicas e profundas oferecidas pelos rituais maçônicos para, assim como na Páscoa, passarmos por nossa própria morte simbólica e emergirmos renovados? Qual será o legado que desejamos deixar enquanto membros desta fraternidade universal?

 

Portanto, que aproveitemos esta Semana Santa para refletir profundamente sobre nossas vidas e atitudes, buscando verdadeiramente ressignificar nossa existência com novas atitudes e ações concretas que contribuam para o bem comum. Afinal, como ensina a sabedoria maçônica, é pela constante renovação e evolução interior que alcançamos a verdadeira iluminação.

 

Ir. Wallas Oliveira

Cadeira 29 – ACML - Academia Caruaruense Maçônica De Letras

Cadeira 19 - Academia Brasileira Maçônica de Letras, Teatro, Ciências, Artes e Música.

O “Sim” Maçônico e o Silêncio da Humildade

 



ACADEMIA CARUARUENSE MAÇÔNICA DE LETRAS

Reflexão Acadêmica | Sessão Ordinária: 06/04/25
Caruaru – PE

 

O “Sim” Maçônico e o Silêncio da Humildade

Por Wallas Oliveira

 

Dizer “sim” é, à primeira vista, um gesto simples. Proferimos esse monossílabo todos os dias, em decisões rotineiras, sem medir suas implicações. Mas há certos "sins" que são sementes. Pequenos na aparência, profundos na consequência.

Dizer “sim” é um ato corriqueiro. Dizemos “sim” ao aceitar um café, ao responder uma pergunta, ao atender um pedido. Mas há “sins” que mudam nossa vida. O “sim” ao matrimônio, por exemplo, é um mergulho na partilha e na construção. O “sim” à paternidade nos coloca diante da responsabilidade de guiar alguém que dependerá de nossas palavras e silêncios. E o “sim” à Maçonaria… ah, esse é diferente de todos os outros.

O “sim” maçônico é um pacto íntimo. Não é gritado, não é registrado em cartório, mas é selado no coração e na consciência. É um sim ao autoconhecimento, à fraternidade, à sabedoria e à reforma interior. É como plantar uma semente em solo escuro, confiando que ela brotará em direção à luz.

Esse “sim” não é apenas uma resposta afirmativa. É um pacto. Um rito silencioso de adesão ao estudo, à transformação interior, à construção do Templo simbólico em nós mesmos. Como no matrimônio, dizer “sim” à Maçonaria é assumir a convivência, o compromisso com o outro, e com algo que é maior do que nós — a Ordem.

Esse caminho iniciático não é isento de desafios. Entre as pedras que precisamos lapidar, há uma que se oculta com frequência: a vaidade. Vaidade essa que, nas palavras de antigos sábios, é o orgulho travestido de merecimento. Ela nos convence de que já somos luz, quando ainda somos sombra. Confunde conhecimento com sabedoria, título com virtude, e presença com relevância.

No entanto, a Maçonaria — em sua essência iniciática — exige o cultivo de uma virtude contrária: a humildade. Humildade não é ausência de valor, mas o reconhecimento de que estamos sempre em formação. É a capacidade de aprender até mesmo com o silêncio do irmão, de servir sem ser visto, de liderar sem subir em pedestais.

Na jornada maçônica, somos constantemente chamados a reaprender. A convivência com os irmãos — como nos recorda o texto “SIM para Maçonaria” — nos coloca frente a frente com o diferente. Assim como no matrimônio, é preciso escutar, ceder, compreender. A convivência é um espelho: ela reflete o que ainda precisamos trabalhar em nós. E não há evolução possível sem humildade.

Mas nem tudo são flores. No caminho maçônico, somos tentados pela vaidade, essa erva daninha que cresce onde o ego é adubado. A vaidade quer aplausos, quer cargos, quer reverência. O humilde, ao contrário, busca servir em silêncio. Enquanto a vaidade diz “olhe para mim”, a humildade sussurra “olhe para o outro”.

Mas além do plano pessoal e relacional, há o compromisso institucional. Ao dizer “sim”, tornamo-nos também guardiões da Ordem. Não apenas usuários de seus rituais e símbolos, mas obreiros da sua perenidade. Cuidar da Maçonaria como se cuida de um filho: com zelo, com disciplina, com amor e responsabilidade.

Na Maçonaria, aprendemos que até mesmo uma pedra precisa ser talhada para servir ao Templo. E talvez a pedra mais difícil de lapidar seja o próprio eu. A cada reunião, a cada estudo, a cada convivência com os irmãos, temos a chance de reafirmar esse “sim” — não apenas com palavras, mas com atitudes.

Diante disso, cabe-nos a pergunta: como temos reafirmado o nosso “sim”? Temos caminhado com constância ou nos deixado seduzir pela vaidade do parecer? Temos edificado templos ou apenas ocupado assentos?

O verdadeiro Maçom não se mede pelo cargo, mas pelo silêncio respeitoso, pela palavra sábia, pela disposição em servir. Seu maior título é a coerência entre o que professa e o que pratica. Seu maior ornamento é a humildade. Sua maior missão, ser luz no mundo — não para ser notado, mas para que outros encontrem o caminho.

Reflitamos, pois, com sinceridade. Pois cada reunião, cada estudo, cada troca de olhares entre irmãos é um novo convite a dizer, com a alma: sim, continuo no caminho. Sim, sigo aprendendo. Sim, sigo servindo.

E você, meu irmão, como tem dito seu “sim”? Com humildade e constância, ou com pressa e presunção? Reflitamos. Afinal, o verdadeiro maçom é aquele que constrói mais do que ostenta, que ouve mais do que fala, que serve mais do que se exibe.

Reflitamos, pois, com sinceridade e coragem. Que o nosso "sim" seja todos os dias reafirmado em atitudes, estudos, convivência fraterna e serviços à instituição. E que, ao final desta jornada, possamos dizer, como o construtor que cumpriu sua missão: “A obra está em pé, sólida e reta”.

Ir. Wallas Oliveira

Cadeira 29 – ACML - Academia Caruaruense Maçônica De Letras

Cadeira 19 - Academia Brasileira Maçônica de Letras, Teatro, Ciências, Arte e Música.

Consultor empresarial, professor universitário e escritor