ACADEMIA CARUARUENSE MAÇÔNICA DE
LETRAS
Reflexão Acadêmica | Sessão Ordinária: 06/04/25
Caruaru – PE
O
“Sim” Maçônico e o Silêncio da Humildade
Por
Wallas Oliveira
Dizer
“sim” é, à primeira vista, um gesto simples. Proferimos esse monossílabo todos
os dias, em decisões rotineiras, sem medir suas implicações. Mas há certos
"sins" que são sementes. Pequenos na aparência, profundos na
consequência.
Dizer
“sim” é um ato corriqueiro. Dizemos “sim” ao aceitar um café, ao responder uma
pergunta, ao atender um pedido. Mas há “sins” que mudam nossa vida. O “sim” ao
matrimônio, por exemplo, é um mergulho na partilha e na construção. O “sim” à
paternidade nos coloca diante da responsabilidade de guiar alguém que dependerá
de nossas palavras e silêncios. E o “sim” à Maçonaria… ah, esse é diferente de
todos os outros.
O
“sim” maçônico é um pacto íntimo. Não é gritado, não é registrado em cartório,
mas é selado no coração e na consciência. É um sim ao autoconhecimento, à
fraternidade, à sabedoria e à reforma interior. É como plantar uma semente em
solo escuro, confiando que ela brotará em direção à luz.
Esse
“sim” não é apenas uma resposta afirmativa. É um pacto. Um rito silencioso de
adesão ao estudo, à transformação interior, à construção do Templo simbólico em
nós mesmos. Como no matrimônio, dizer “sim” à Maçonaria é assumir a
convivência, o compromisso com o outro, e com algo que é maior do que nós — a
Ordem.
Esse
caminho iniciático não é isento de desafios. Entre as pedras que precisamos
lapidar, há uma que se oculta com frequência: a vaidade. Vaidade essa que, nas
palavras de antigos sábios, é o orgulho travestido de merecimento. Ela nos
convence de que já somos luz, quando ainda somos sombra. Confunde conhecimento
com sabedoria, título com virtude, e presença com relevância.
No
entanto, a Maçonaria — em sua essência iniciática — exige o cultivo de uma
virtude contrária: a humildade. Humildade não é ausência de valor, mas o
reconhecimento de que estamos sempre em formação. É a capacidade de aprender
até mesmo com o silêncio do irmão, de servir sem ser visto, de liderar sem
subir em pedestais.
Na
jornada maçônica, somos constantemente chamados a reaprender. A convivência com
os irmãos — como nos recorda o texto “SIM para Maçonaria” — nos coloca frente a
frente com o diferente. Assim como no matrimônio, é preciso escutar, ceder,
compreender. A convivência é um espelho: ela reflete o que ainda precisamos
trabalhar em nós. E não há evolução possível sem humildade.
Mas
nem tudo são flores. No caminho maçônico, somos tentados pela vaidade, essa
erva daninha que cresce onde o ego é adubado. A vaidade quer aplausos, quer
cargos, quer reverência. O humilde, ao contrário, busca servir em silêncio.
Enquanto a vaidade diz “olhe para mim”, a humildade sussurra “olhe para o
outro”.
Mas
além do plano pessoal e relacional, há o compromisso institucional. Ao
dizer “sim”, tornamo-nos também guardiões da Ordem. Não apenas usuários de seus
rituais e símbolos, mas obreiros da sua perenidade. Cuidar da Maçonaria como se
cuida de um filho: com zelo, com disciplina, com amor e responsabilidade.
Na
Maçonaria, aprendemos que até mesmo uma pedra precisa ser talhada para servir
ao Templo. E talvez a pedra mais difícil de lapidar seja o próprio eu. A cada
reunião, a cada estudo, a cada convivência com os irmãos, temos a chance de
reafirmar esse “sim” — não apenas com palavras, mas com atitudes.
Diante
disso, cabe-nos a pergunta: como temos reafirmado o nosso “sim”? Temos
caminhado com constância ou nos deixado seduzir pela vaidade do parecer? Temos
edificado templos ou apenas ocupado assentos?
O
verdadeiro Maçom não se mede pelo cargo, mas pelo silêncio respeitoso, pela
palavra sábia, pela disposição em servir. Seu maior título é a coerência entre
o que professa e o que pratica. Seu maior ornamento é a humildade. Sua maior
missão, ser luz no mundo — não para ser notado, mas para que outros encontrem o
caminho.
Reflitamos,
pois, com sinceridade. Pois cada reunião, cada estudo, cada troca de olhares
entre irmãos é um novo convite a dizer, com a alma: sim, continuo no
caminho. Sim, sigo aprendendo. Sim, sigo servindo.
E
você, meu irmão, como tem dito seu “sim”? Com humildade e constância, ou com
pressa e presunção? Reflitamos. Afinal, o verdadeiro maçom é aquele que
constrói mais do que ostenta, que ouve mais do que fala, que serve mais do que
se exibe.
Reflitamos,
pois, com sinceridade e coragem. Que o nosso "sim" seja todos os dias
reafirmado em atitudes, estudos, convivência fraterna e serviços à instituição.
E que, ao final desta jornada, possamos dizer, como o construtor que cumpriu
sua missão: “A obra está em pé, sólida e reta”.
Ir.
Wallas Oliveira
Cadeira
29 – ACML - Academia Caruaruense Maçônica De Letras
Cadeira
19 - Academia Brasileira Maçônica de Letras, Teatro, Ciências, Arte e Música.
Consultor
empresarial, professor universitário e escritor

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