7ª Reunião Ordinária da ACML

ACML realiza reunião aberta com reflexão acadêmica, entrega de livro e apresentação de trabalho

Encontro aconteceu na Loja Maçônica Humanidade e Progresso, em Caruaru-PE

A Academia Caruaruense Maçônica de Letras – ACML realizou, no domingo, 26 de abril de 2026, às 10h, mais uma reunião aberta, reunindo acadêmicos, irmãos visitantes, convidados e interessados em conhecer de perto o trabalho cultural, literário e maçônico desenvolvido pela instituição.

A reunião ocorreu nas dependências da Loja Maçônica Humanidade e Progresso, localizada na Rua Oscar Laranjeira, nº 75, bairro Indianópolis, em Caruaru-PE. O encontro foi marcado por um ambiente de fraternidade, estudo, reflexão e valorização da produção intelectual, mantendo viva a missão da Academia de incentivar a cultura, o conhecimento e o aprimoramento dos ensinamentos maçônicos.

Pauta da reunião

A programação contou com a Reflexão Acadêmica conduzida pelo Ir∴ Jorge Marcos, que abordou a filosofia do 5S, destacando seus princípios de organização, disciplina, limpeza, padronização e melhoria contínua. A reflexão trouxe importantes contribuições para a vida pessoal, institucional e maçônica, demonstrando como práticas simples e bem aplicadas podem favorecer ambientes mais produtivos, harmoniosos e conscientes.

Na pauta também constou a entrega do livro “Coletânea de Textos da ACML”, obra publicada pela Academia no ano de 2022, reunindo produções literárias e reflexivas de seus acadêmicos. A entrega simbolizou mais um importante registro da produção intelectual da ACML e reforçou o compromisso da instituição com a preservação da memória, o incentivo à escrita e a difusão do pensamento maçônico e cultural.

Em seguida, houve a apresentação do trabalho do Ir∴ Osvaldo Brito, ocupante da Cadeira nº 24, tendo como tema a Campanha “Proibido Postar”, assunto de grande relevância para os dias atuais, especialmente diante dos desafios impostos pelo uso responsável das redes sociais, pela preservação da imagem institucional e pela prudência na comunicação pública.

O tema apresentado pelo Ir∴ Osvaldo Brito despertou grande interesse entre os presentes e proporcionou um debate fervoroso, respeitoso e muito proveitoso. As contribuições dos acadêmicos e visitantes ampliaram a compreensão sobre a responsabilidade no uso dos meios digitais, evidenciando que a liberdade de expressão deve caminhar ao lado da prudência, da discrição, da ética e do zelo institucional.

A abordagem reforçou a importância da responsabilidade individual e coletiva no ambiente digital. Em tempos de comunicação instantânea, a prudência, o equilíbrio e o discernimento tornam-se virtudes indispensáveis, principalmente quando se trata de instituições que carregam tradição, história e compromisso com valores elevados.

Durante a reunião, a ACML também reafirmou seu compromisso com a abertura de suas atividades à comunidade maçônica e cultural, possibilitando que visitantes conheçam melhor sua dinâmica, seus acadêmicos, suas cadeiras e os trabalhos desenvolvidos em favor da literatura, da cultura e do pensamento maçônico.

Registro fotográfico

Confira alguns registros da reunião realizada pela Academia Caruaruense Maçônica de Letras – ACML.


Abertura da reunião

Reflexão Acadêmica sobre a filosofia do 5S

Entrega do livro Coletânea de Textos da ACML

Apresentação do trabalho Campanha “Proibido Postar”

Debate entre acadêmicos e visitantes

Acadêmicos e visitantes presentes

A presença dos acadêmicos e visitantes fortaleceu o espírito de união e demonstrou, mais uma vez, que a ACML permanece atuante na promoção do conhecimento, da cultura e da fraternidade. A reunião aberta também serviu como oportunidade para aproximar novos interessados da Academia, permitindo que conhecessem sua história, seus objetivos e sua contribuição para o cenário cultural maçônico de Caruaru e região.

A ACML segue firme em sua missão: preservar a tradição, incentivar a produção literária, promover o estudo e fortalecer os laços fraternos por meio da cultura e do conhecimento.

Academia Caruaruense Maçônica de Letras – ACML
Cultura, Literatura e Fraternidade

Campanha “Diga Não”

Artigo

Campanha “Diga Não”: por uma comunicação maçônica ética e responsável na era digital

Uma reflexão sobre o uso consciente das tecnologias, a prudência na comunicação e a responsabilidade do maçom diante das mensagens que compartilha.



Por: Ir. Osvaldo Brito

Artigo apresentado em reunião da Academia Caruaruense Maçônica de Letras — ACML, como estudo acadêmico sobre comunicação, ética digital e responsabilidade maçônica.

A história da humanidade também pode ser contada pela história da comunicação. Desde os primeiros sinais, registros escritos e mensageiros, passando pelo telégrafo, pelo rádio, pelo telefone e pela televisão, o ser humano sempre procurou superar as distâncias geográficas e tornar mais rápida a circulação das ideias. Hoje, na era digital, uma mensagem pode atravessar continentes em segundos, alcançando pessoas, grupos e instituições com uma velocidade jamais vista em outros períodos da história.

Não se trata, portanto, de negar os avanços tecnológicos. A tecnologia é uma conquista da inteligência humana e, quando bem utilizada, aproxima pessoas, fortalece instituições, facilita o ensino, amplia o acesso ao conhecimento e torna mais eficiente a comunicação. O problema não está na ferramenta, mas no modo como ela é utilizada.

A campanha “Diga Não” propõe uma reflexão necessária: diga não ao uso impensado de mensagens, figurinhas, imagens e publicações que exponham, banalizem ou tratem com descuido elementos da tradição maçônica; diga não à desinformação; diga não ao preconceito; diga não à comunicação que fere a ética, a prudência e a dignidade humana.

A comunicação digital e a responsabilidade maçônica

A velocidade da comunicação moderna criou aquilo que muitos estudiosos chamam de “aldeia global”: um ambiente no qual fatos, opiniões, imagens e informações circulam quase simultaneamente entre pessoas de diferentes cidades, países e culturas. Uma mensagem enviada em um pequeno grupo pode, em poucos minutos, ser copiada, encaminhada, recortada, editada e publicada em outros ambientes, muitas vezes fora do controle daquele que a enviou inicialmente.

Essa realidade exige prudência. No passado, uma palavra mal colocada poderia ficar restrita a uma conversa particular. Hoje, uma mensagem precipitada pode ganhar grande alcance, ser retirada de contexto e produzir consequências indesejadas. Por isso, a pergunta que se impõe é: como a Maçonaria, instituição que valoriza o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual do homem, deve se comportar diante dessa nova realidade comunicacional?

A resposta passa por uma palavra simples, mas profunda: coerência. O maçom que defende a ética precisa comunicar-se eticamente. O maçom que valoriza a discrição precisa agir com discrição também no ambiente digital. O maçom que se compromete com a verdade não pode ser agente de boatos, exageros, fake news ou mensagens sem fundamento.

O problema das figurinhas, imagens e mensagens inadequadas

Um dos pontos centrais desta campanha é o alerta contra o uso de figurinhas, imagens ou publicações que reproduzam sinais, toques, palavras, posições, expressões ritualísticas ou elementos que, pela tradição maçônica, exigem cuidado, sobriedade e reserva.

É comum encontrar, em grupos de WhatsApp formados por maçons, figurinhas ou imagens com expressões como “em pé e à ordem”, representações de sinais, gestos ritualísticos ou frases que remetem ao ambiente interno da Ordem. Alguns podem argumentar que tais elementos já se encontram espalhados pela internet. Ainda assim, essa justificativa não resolve o problema.

O fato de algo estar disponível publicamente não significa que deva ser reproduzido, estimulado ou banalizado por aqueles que assumiram compromisso com a discrição e com a dignidade da Ordem.

Há uma diferença importante entre encontrar um conteúdo disperso na internet e ver um maçom contribuindo ativamente para sua vulgarização. O erro de terceiros não justifica a repetição do erro por aqueles que deveriam zelar pela instituição.

O risco da banalização

A banalização é um perigo silencioso. Ela não destrói uma tradição de uma vez; vai enfraquecendo seu sentido aos poucos. Aquilo que deveria inspirar respeito passa a ser tratado como piada. Aquilo que deveria conduzir à reflexão passa a circular como figurinha. Aquilo que deveria ser vivenciado com seriedade passa a ser consumido como entretenimento instantâneo.

A Maçonaria sempre trabalhou com símbolos. E os símbolos não são simples desenhos. Eles carregam significados, educam a consciência, provocam reflexão e orientam o aperfeiçoamento do homem. Quando um símbolo é deslocado de seu contexto e usado de modo vulgar, ele perde parte de sua força pedagógica.

Antes de compartilhar, reflita:

  • Esta informação é verdadeira?
  • A fonte é confiável?
  • O conteúdo contribui para o esclarecimento ou apenas provoca medo, raiva ou confusão?
  • A mensagem está de acordo com os princípios de respeito, tolerância e fraternidade?
  • Eu teria tranquilidade em assumir publicamente a responsabilidade por aquilo que estou encaminhando?

Comunicação, desinformação e superstição

Outro ponto importante diz respeito às mensagens que propagam desinformação, crenças infundadas, correntes supersticiosas ou interpretações fantasiosas sobre a Maçonaria. Em muitos grupos, circulam textos atribuídos a autores inexistentes, frases falsamente creditadas a grandes pensadores, teorias conspiratórias, alarmismos religiosos, boatos políticos e mensagens sem qualquer base histórica, filosófica ou documental.

Esse tipo de conteúdo empobrece o debate e contraria o ideal maçônico de busca da verdade. A Maçonaria não deve ser ambiente de obscurantismo, mas de luz. Não deve estimular a ignorância, mas o estudo. Não deve alimentar fanatismos, mas a reflexão. Não deve fortalecer a confusão, mas o discernimento.

Liberdade de expressão não é licença para ferir

A liberdade de expressão é um valor essencial. Sem ela, não há pensamento livre, não há debate verdadeiro e não há desenvolvimento intelectual. Contudo, a liberdade de expressão não pode ser confundida com licença para ofender, discriminar, humilhar ou incitar violência.

Mensagens com conteúdo racista, religioso-intolerante, homofóbico, misógino, xenofóbico, agressivo ou desumanizador colidem frontalmente com os valores mais elevados da convivência civilizada. Mais ainda: contrariam o espírito maçônico, que deve estar apoiado na dignidade humana, na tolerância, no respeito e na fraternidade.

A crítica é legítima. O debate é necessário. A divergência é natural. Mas a agressão, o preconceito e a desinformação não podem ser tratados como simples opinião. Uma instituição que se propõe ao aperfeiçoamento do homem precisa ser vigilante quanto à qualidade moral daquilo que seus membros propagam.

Os três filtros da comunicação maçônica

Uma forma prática de orientar a comunicação nos grupos maçônicos é adotar três filtros antes de compartilhar qualquer conteúdo.

1. Verdade

A informação é verdadeira? Foi verificada? Tem fonte segura? Ou é apenas mais uma mensagem encaminhada sem autoria, sem data e sem comprovação?

2. Prudência

Ainda que seja verdadeira, essa mensagem deve ser compartilhada? Ela pode ser mal interpretada? Pode sair do grupo e gerar constrangimento?

3. Fraternidade

Essa mensagem edifica? Instrui? Une? Esclarece? Ou apenas provoca discórdia, ironia, humilhação, preconceito e vaidade?

Se uma mensagem não passa por esses três filtros, o melhor caminho é não compartilhá-la.

Campanha “Diga Não”

Diga não às figurinhas que expõem indevidamente sinais, gestos ou expressões vinculadas à ritualística. Diga não às mensagens que transformam a tradição maçônica em brincadeira vulgar. Diga não aos boatos, às correntes supersticiosas e às falsas informações. Diga não aos conteúdos preconceituosos, violentos ou ofensivos. Diga não ao uso irresponsável da tecnologia.

Ao dizer não ao que empobrece, dizemos sim ao que edifica

A campanha também possui um lado afirmativo. Ao dizer não ao que empobrece, dizemos sim ao que edifica. Dizemos sim ao estudo. Sim à boa leitura. Sim à comunicação respeitosa. Sim à divulgação responsável da cultura maçônica. Sim à produção literária, filosófica e histórica. Sim ao uso das ferramentas digitais para aproximar, ensinar, registrar e preservar.

A Academia Caruaruense Maçônica de Letras — ACML, por sua natureza acadêmica, cultural e literária, tem papel importante nesse processo. Refletir sobre a qualidade da comunicação maçônica não é tema secundário: é parte da missão cultural e educativa da Academia.

Conclusão

O maçom somente honra plenamente sua condição quando procura alinhar pensamento, palavra e ação. Pensar bem, falar com prudência e comunicar com responsabilidade são atitudes que revelam maturidade moral.

A era digital oferece instrumentos poderosos. Com eles, podemos divulgar bons textos, preservar memórias, registrar eventos, aproximar irmãos, fortalecer instituições e levar conhecimento a muitos lugares. Mas esses mesmos instrumentos, quando usados sem critério, podem vulgarizar símbolos, espalhar desinformação, alimentar conflitos e comprometer a imagem de instituições respeitáveis.

Por isso, a campanha “Diga Não” não é uma campanha contra a tecnologia. É uma campanha a favor da consciência. Não é uma defesa do silêncio absoluto, mas da palavra responsável. Não é uma rejeição à modernidade, mas um convite para que a modernidade seja usada com sabedoria.

A verdadeira comunicação maçônica deve ser discreta sem ser omissa, firme sem ser agressiva, fraterna sem ser ingênua e livre sem ser irresponsável.

Que cada maçom, antes de compartilhar uma mensagem, recorde que também no ambiente digital continua sendo representante de seus princípios, de sua Loja, de sua Academia e da própria Ordem.