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São João de Caruaru e a Maçonaria

Coluna do Acadêmico

São João de Caruaru e a Maçonaria

Uma reflexão sobre cultura, tradição, fraternidade e os valores que aproximam os festejos juninos da caminhada maçônica.



Por Ir. Erasmo Santos

Acadêmico da Academia Caruaruense Maçônica de Letras — ACML, ocupante da Cadeira nº 31, que tem como Patrono José Castellani.




Nesta reflexão, o Ir. Erasmo Santos aborda a relação simbólica entre o São João de Caruaru, a preservação da cultura popular nordestina e os valores fraternos cultivados pela Maçonaria.

O mês de junho chega trazendo consigo o brilho das fogueiras, o colorido das bandeirolas e a alegria contagiante do Maior e Melhor São João do Mundo. Em Caruaru, a festa junina transcende o aspecto festivo e se transforma em uma verdadeira celebração da cultura, da história e das raízes do nosso povo.

A Maçonaria, instituição que valoriza as tradições, a fraternidade e o fortalecimento dos laços humanos, tendo São João como seu Padroeiro, identifica-se com muitos dos valores presentes nos festejos juninos.

Assim como nas reuniões maçônicas cultivamos a união, a amizade e o respeito mútuo, nas festas de São João encontramos famílias e amigos reunidos em torno da fogueira, compartilhando momentos de convivência, alegria e solidariedade.

O São João de Caruaru é mais do que uma festa: é expressão viva da cultura, da memória e da identidade do povo nordestino.

O Maior e Melhor São João do Mundo, o de Caruaru, também simboliza a resistência e a preservação da cultura popular nordestina. Embora tradições marcantes, como os balões, tenham desaparecido, as fogueiras tenham se tornado cada vez mais raras e muitas das autênticas músicas juninas tenham cedido espaço a estilos distantes de suas raízes, a festa continua cumprindo seu papel de manter viva a memória, os costumes e a identidade de seu povo.

Essa missão de preservar e transmitir valores culturais encontra profundo eco nos princípios maçônicos, que defendem o conhecimento, a valorização das tradições e a proteção do patrimônio moral e cultural da sociedade.

Que neste período junino possamos celebrar não apenas a alegria da festa, mas também os sentimentos de fraternidade, união e amor ao próximo, fortalecendo os vínculos que nos unem como cidadãos, como irmãos e como construtores de uma sociedade cada vez melhor.

Ir. Erasmo Santos
Acadêmico da ACML
Cadeira nº 31 — Patrono José Castellani

Acadêmico Ir. Wallas Oliveira é sagrado no Grau 33, do REAA

Investidura e Sagração ao Grau 33 no Rio de Janeiro reúne 178 Irmãos de todo o Brasil


Rio de Janeiro (15 de novembro de 2025) — Na sede do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, realizou-se a cerimônia de investidura e sagração ao Grau 33, que reuniu 178 novos Soberanos Grandes Inspetores Gerais oriundos de diversas regiões do país. Entre os agraciados, o Irm\ão Wallas Oliveira, que coroou uma trajetória de mais de 16 anos de estudos, prática ritualística e serviço à Ordem — jornada iniciada desde sua Iniciação Maçônica e vivida grau a grau, instrução a instrução.


A solenidade, marcada pela regularidade e pela precisão ritual, foi conduzida com excelência. Em registro público de gratidão, Ir. Wallas Oliveira destacou:

“Meu reconhecimento e agradecimento à dedicação e à maestria do Irmão Jorge Luiz de Andrade Lins, 33º, Soberano Grande Comendador, do Irmão Anderson Pinto Verçosa Simões, 33º, Grande Secretário-Geral, e de todos os Irmãos efetivos do Supremo, que conduziram de forma impecável cada etapa desta cerimônia. Este exemplo de liderança discreta e eficiente nos inspira a honrar a Tradição com trabalho, humildade e fraternidade.”


Nota do autor: por não haver espaço para pronunciamento no ato, fica registrada abaixo a reflexão que preparei para a ocasião.



Sagração e Investidura ao Grau 33: objetivo concluído, missão iniciada


À Glória do Grande Arquiteto do Universo.


Foram mais de dezesseis anos de caminhada. Uma senda percorrida grau a grau, instrução a instrução, com a serenidade de quem sabe que a pressa é inimiga da formação do caráter e do aperfeiçoamento moral. Hoje, ao receber a sagração e a investidura ao Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito — honraria de mérito e de responsabilidade — reconheço que um objetivo foi concluído, mas a missão, esta, apenas começa.


A caminhada: tempo, constância e disciplina


Desde a minha Iniciação tracei um propósito: chegar ao Grau 33. Não como ambição vazia, mas como expressão de constância, estudo e serviço. Ao longo do caminho, enfrentei interrupções alheias à minha vontade, períodos de suspensão do processo e, em dado momento, convites para reconhecimento de grau — atalhos que poderiam abreviar etapas. Preferi, porém, o caminho completo: cada grau vivido, cada instrução compreendida, cada virtude lapidada. O tempo, nesse itinerário, não foi obstáculo; foi pedagogo.


Provações e escolhas

Em Maçonaria, o verdadeiro avanço não se mede por escaladas rápidas, mas pela maturidade com que suportamos provas, consolidamos aprendizados e praticamos fraternidade. Diante das alternativas, escolhi o que a Tradição ensina: o trabalho paciente vence todas as dificuldades. Recusei precipitações para honrar o método — silencioso, exigente, formativo — que conduz o obreiro da pedra bruta à pedra cúbica.


O sentido do Grau 33


O Grau 33 não é um ponto de chegada vaidoso; é um compromisso ampliado de serviço. É reconhecimento por constância, lealdade à Ordem e dedicação à causa da humanidade. É convite à humildade, à prudência e à justiça; é exigência de caridade discreta, de exemplo sereno e de defesa da Verdade. Se os graus anteriores forjaram ferramentas, o 33º lembra para que elas existem: construir pontes — entre gerações, entre Lojas, entre a Ordem e a sociedade.


Tradição viva, visão de futuro


Valorizo o que sempre deu certo: rito, símbolos, silêncio e estudo. Sem eles não há Maçonaria; há modismos. Mas tradição não é imobilismo. A visão que assumo é a de uma Ordem fiel às raízes e, ao mesmo tempo, pertinente ao nosso tempo: promovendo educação cívica, ética profissional, diálogo social e obras filantrópicas eficazes — não para aparecer, mas para transformar.


Gratidão que me obriga


Nada disso se faz sozinho. Sou grato aos Mestres que me instruíram, aos Irmãos que me apoiaram — inclusive quando o caminho foi suspenso — e à família, que compreendeu ausências e confiou nos meus propósitos. A gratidão verdadeira não é aplauso; é dívida assumida em forma de serviço.


Compromissos que assumo


  1. Defender os Landmarks e a Regularidade, preservando a integridade do método iniciático.
  2. Servir com discrição e eficiência, priorizando o essencial sobre o acessório.
  3. Formar e amparar os mais novos, para que cada Aprendiz, Companheiro e Mestre encontre rumo, exemplo e oportunidade de crescer.
  4. Promover união e diálogo, sempre que houver ruídos entre Irmãos, Lojas ou Corpos, lembrando que fraternidade é dever, não slogan.
  5. Aproximar a Ordem da sociedade, por meio de projetos educativos, cívicos e filantrópicos que honrem nosso juramento de trabalhar pelo bem comum.


Objetivo concluído, missão iniciada


Concluir o objetivo de chegar ao Grau 33 alegra e responsabiliza. Mas não proclamo “missão cumprida”. Pelo contrário: agora a missão começou. Se o aprendizado me trouxe até aqui, o serviço me levará adiante. Que eu seja, doravante, menos título e mais trabalho; menos discurso e mais exemplo.


Que o Grande Arquiteto do Universo me conceda sabedoria para decidir, prudência para conduzir, fortaleza para perseverar e justiça para governar a mim mesmo. E que, ao final de cada dia, eu possa dizer, em silêncio: honrei a Tradição, edifiquei com meus Irmãos e servi à humanidade com humildade e fraternidade.

Não tenho dúvida que este diploma a mim outorgado, não é uma certidão de óbito maçônico, mas um pontapé inicial de uma nova jornada.


Ir Wallas Oliveira, 33
Cadeira 29